Chegou o quinto dia! As voluntárias animadas pelo lema: “ transforma os teus problemas em desafios. Tu és capaz!” não desistem! Têm um grande dia pela sua frente. Hoje é o dia da limpeza do “Djeu” (ilhéu).
Depois de uma meditação sobre o Amor de Deus e a Missa matinal, reunimo-nos no pontão dos pescadores. Enquanto dançávamos e cantávamos as musicas habituais, o nosso transporte marítimo – o Seara Real, a quem agradecemos a colaboração! – chegou: uma lancha pneumática espectacular. Conseguimos colocar aproximadamente 30 crianças na lancha e, juntamente com a Rita, a Inês, a Rosarinho e a Dita, rumaram à praia do ilhéu. A Rute e a Inês passaram a ser co-pilotas nas viagens que se sucederam no transporte de mais de mais de 200 pessoas, entre crianças e voluntárias, para o Djéu.
O calor era tanto que nem crianças nem voluntarias resistiram àquela água magnífica. O que permitiu aguentar a espera e vigiar os meninos. Entre várias idas e voltas da lancha, para as que estavam em terra houve tempo para uma coca-cola e umas comprinhas de bijutaria. Após a partida da 3ª vaga, surgiu uma senhora muito nervosa, pois duas meninas tinham partido sem autorização. Todavia, não houve problema e esta teve ainda direito a uma voltinha de lancha até ao ilhéu para trazer de volta as suas meninas. Nessa viagem a Xanda deu-nos o prazer de experimentar a sua condução marítima. Inesquecível!
Ao fim de quatro voltas estávamos todos no djeu e cheios de vontade para trabalhar. Sendo uma actividade ambiental, está claro que o objectivo era apanhar o lixo. Então, distribuindo luvas, pinças e grandes sacos do lixo, explorámos a ilha divididos nos 5 grupos habituais de tartarugas. A competição estava renhida entre as tartarugas mor, acabando as Mydas por ganhar com 38 sacos de lixo recolhido!!! Apesar do esforço de todos e dos mais de 100 sacos recolhidos, ainda ficou muito lixo (principalmente plásticos) no ilhéu, que presumimos terem sido lançados pelas pessoas de Sal-Rei no mar.
No final da tarefa cumprida o banho foi a recompensa merecida. Quer voluntarias quer crianças tudo se pode refrescar naquele mar paradisíaco. Não sem antes fotografar o grupo e os sacos.
Memorável foi a afluência multitudinária da criançada à que nos levaria de regresso. Graças às voluntárias ninguém pereceu esmagado ou afogado nesta tarefa dificílima. Por fim, partiu a última vaga deixando os sacos abandonados à boa vontade de alguém. Esta última viagem exigiu a agilidade de alguns (incluindo voluntarias) para desatolar a lancha da areia. O peso era demais! O que durante a viagem permitiu a entrada de um excesso de água (podemos dizer que ultrapassava os tornezelos) e um consumo acrescido de combustível. Resultado: ao chegar ao porto o barco paralisou. Não fosse o reboque de um catamaram de turistas e teríamos ficado em mar alto. A D. São, da Seara Real, que coordenava as manobras, deu ordem que todos que soubessem nadar, se atirassem à água e o fizessem até a margem. Foi a debanda geral e crianças e voluntarias vestidas e de chinelo na mão assim o fizeram. Houve outros, como a Catarina Cruz que não tiveram escolha, tendo sido empurradas borda fora. Grande chapa! As últimas, que guardavam máquinas e afins, tiveram direito a um transbordo para um barco de pescadores e, por fim, estávamos todas em terra.
No pontão a Guida Marcelino foi entrevistada para a rádio Cabo Verde, pela jornalista e amiga do projecto, Andreia.
Apesar do dia já nos parecer muito longo, ainda estamos no seu início.
Hoje começaram os vários cursos para adultos: inglês, português, auto-negócio e cozinha (na Vila e nas Barracas).
As voluntárias estavam bastante entusiasmadas e contaram, na tertúlia, como tudo tinha acontecido.
A Ana Santiago, apesar do grupo deste anos ser menos numeroso que o do ano passado, vê nisso uma mais-valia e a possibilidade de dar um acompanhamento mais personalizado a cada um dos participantes, mais vez na sua maioria homens.
O gaspacho foi um êxito! A Fátima e a Ana Filipa puderam ver a boa vontade de todos uma vez mais manifesta, transportando cada um a sua cadeira. A atenção e gosto nos novos sabores e saberes de nutrição deixou todos muito contentes.
…Enfim: teremos ocasião de dar relatos mais detalhados de cada uma destas actividades. Naturalmente vai necessidade de ajustamentos daquilo que tínhamos programado à realidade encontrada.
O dia não acabou sem termos uma surpresa da Dita na tertúlia: a cabeça do peixe Bidião Carnaval / Papagaio da Guiné, com as suas cores fantásticas e formas que, segundo ela, são pré-históricas. Quase não queríamos acreditar que era verdadeiro! É a biodiversidade, sem dúvida!
Não podemos deixar de referir uma cena pancadaria entre 2 mulheres na fila do dispensário. Nada que nos possa admirar, dado o contexto em que a maioria destas pessoas vive. A situação, para nós nova e aflitiva mas que provocava o riso de muitas dos “cabreros” (pessoas da Boavista) assistentes, foi controlada pela Rute e outras voluntárias o serviço neste dia.