A manhã de hoje foi penosa para, pelo menos, metade das voluntárias. As horas de sono foram poucas devido á grande noite de ontem com as tartarugas. No entanto, mesmo sonolentas, lá tomámos o banhinho, o pequeno almoço e, já atrasadas tentámos (como quase todos os dias) apanhar boleia de quem passava. Aquelas pick-up são a nossas salvação!
Na meditação o Sr. Padre contou-nos uma história que nos impressionou bastante. Gradualmente, vamos descobrindo o que na verdade se passa e a forma como as pessoas vivem nesta ilha. Aquilo que à primeira vista parece razoável, esconde outras realidades bem diferentes. Já sabíamos que a preparação da missa nas barracas tinha sido um desafio. O que não sabíamos era que, em cima da hora, não havia mesa que servisse de altar para a celebrar. Mais uma vez o Sr. Zezinho resolveu-nos o problema. Depois, não havia vela. Ao que uma Senhora, voluntariosa, foi a casa buscar uma embalagem. No fim, o sacerdote contava com duas embalagens de velas, uma oferecida pela Senhora, outra entregue no ofertório. No Bairro das Barracas a luz é muito cara, para não falar que não existem postes, deixando os fios à altura de um primeiro andar e entrelaçados como calha. Isto, fazendo das velas um bem precioso e, fazendo desta gente uma lição de generosidade para todos nós.
Como todos os dias, voltámos para as actividades que nos estavam designadas. Um grupo de voluntárias saiu para o interior da ilha. A primeira paragem foi em Fonte Figueira, donde se diz ser natural o Nelson Évora. Numa região muito parecida com o nosso Alentejo e onde o crioulo é bastante imperceptível, conseguimos fazer um check up médico quase total e divertir muita criança. Em João Galego, a segunda paragem, tivemos uma adesão da população muito menor. No entanto, à medida que as gargalhadas se iam soltando, foram chegando mais e mais crianças.
De volta a Sal Rei, tudo corria dentro da normalidade, tendo em conta os padrões de Cabo Verde. Hoje com uma visitinha especial do Sr. Padre Pimentel. Entretanto, nas barracas a pintura da Igreja estava a terminar. A rapidez dos rapazes, da Mami e da Matilde na arte da pintura é impressionante!
Após o almoço esperava-se a vinda do Presidente da Câmara, o Sr. Djô Pinto, aproveitando o entretanto para adiantar as pinturas para o festival. O Sr. Presidente achou-nos muito educadas (!), falou várias vezes da cooperação de Portugal a Cabo Verde e do agradecimento das gentes da ilha perante as nossas iniciativas. Referiu também, que uma das maiores dificuldades era conseguir que as mercadorias, como medicamentos e material escolar, chegassem à Ilha da Boavista. Devido a conflitos e burocracias ficam, muitas vezes, retidos contentores cheios na cidade da Praia e também no porto da Boavista.
De tarde, na actividade do ambiente fizeram-se gincanas de jogos na praia. Os miúdos deliraram com o jogo de passar por baixo de fios a rastejar ou a dançar e quando tentavam que um ovo chegasse ao fim da calha feita de garrafas. Na escola primária cantou-se os parabéns a um aluno do primeiro nível de inglês e na culinária das barracas fizeram-se músicas com os cadernos das receitas.
Ao fim do dia, apesar do cansaço, a excitação sentia-se pois, o segundo grupo iria ás tartarugas. Com a ajuda da Joana, da Turtle Fundation, avistaram-se duas tartarugas. A primeira andava um pouco desorientada, possivelmente, devido ao foco de luz proveniente das construções de um grande e novo resort. Auxiliámos a tartaruga de volta ao mar e continuámos a busca por aquelas areias finas e sempre protegidas por aquele céu magnífico, presenteadas por uma chuva de estrelas cadentes e a Via Láctea bem identificável. Finalmente, a patrulha de vigilância fez-nos sinais. Mais uma tartaruga! Com a ajuda da lanterna de luz vermelha e muito cuidadosamente pudemos observar o desovar de dezenas de ovinhos – quase 100! -de uma Careta!