Projecto Cabo Verde

Estudantes universitárias e jovens profissionais, em regime de voluntariado, integradas num projecto de cooperação

12 de Agosto :: décimo-sexto dia

Pelas 7 da manhã, no pátio do Jardim Infantil Pancini, as voluntárias começam a despertar muito lentamente. Cada dia que passa custa mais a levantar.

As artes e o teatro esmeram-se para os últimos preparativos da festa. Hoje a aula de teatro foi no futuro palco do festival. A Margarida Calado, com a preciosa ajuda do megafone que as de Coimbra trouxeram (obrigada Rusa!) e os da Mafalda LM (obrigada também!), e a Guida Moreira, iam dando indicações às crianças. Estavam muito entusiasmados. Nas artes acabaram de estampar t-shirts que servirão para o festival de amanhã. Foi preciso muita paciência para manter uma certa ordem. Como era de esperar, as monitoras da actividade, e os próprios miúdos, saíram tão ou mais pintados como as t-shirts. Com umas pinceladas mais ou menos acertadas, as pinturas de peixes, flores, tartarugas, caranguejos e outros ficaram muito bonitas.

Algo de caricato se passou nos correios da Vila: deixou de haver selos internacionais. Das duas, uma: ou se compravam 3 selos normais, equivalente a um internacional (ocupando a parte superior do postal), ou se carimbava o postal para depois entregar em mão já em Portugal.

A Ana Santiago trouxe de Portugal umas cartas de algumas crianças da Catequese de Rio Tinto para entregar a crianças de cá. Foi muito ternurento. De Portugal, as cartas foram escritas com muito carinho, contando características e gostos de cada um. As respostas, muito entusiásticas, dos miúdos de Sal-Rei deixaram-nos muito “derretidas”. Até se trocaram promessas de amizade para sempre. O Sandro, um dos miúdos que nos dá mais dores de cabeça, até desenhou um coração que quis que dissesse: “I love you”.

Depois do almoço, seguiu-se um tempo de preparar cenários e pintar as ultimas t-shirts. Todas puseram mãos à obra, sobrando ainda tempo para ir dar um mergulhinho. Todas as cadeiras e mesas encheram-se de verdadeiras obras de arte. Acabámos todas pintalgadas.

Mas as pinturas de hoje não se ficaram por aqui. Dois muros da vila foram pintados na actividade do ambiente. Mais uma vez a excitação instalou-se e foi difícil controlar crianças tão agitadas e dispostas a pintar tudo o que lhes aparecia pela frente. Ficamos atrapalhadas quando, depois da actividade para sensibilizar na protecção do ambiente, o mar ficou cor de laranja com a lavagem de mãos e caras.

As professoras de culinária tiveram uma agradável surpresa na última aula. As participantes organizaram-se e trouxeram ingredientes e uma panela enorme para preparar uma cachupa, depois de fazerem a receita pensada, para nós comermos. Só houve um inconveniente: a Senhora Maria esteve na nossa cozinha a preparar uma deliciosa cachupa para o nosso jantar.

Esta tarde houve catequese para adultos no bairro das barracas. A Piedade e a Marta Costa ficaram impressionadas com a doutrina que sabiam.

A Diana, a Rita Mesquita e a Rita Leão passaram a tarde a divulgar o festival de amanhã. De megafone em punho, com música, iam anunciando um festival que prometiam ser o melhor deste verão. Já tendo percorrido grande parte do caminho, o Sr. Zezinho apareceu no sítio certo à hora certa, levando-as na sua carrinha.

Cada aluno do curso de auto-negócios recebeu um kit preparado pelas professoras: o curriculum pessoal em versão papel e digital, para possíveis alterações, um caderno com o que tinham aprendido nestes dias e ainda a declaração de que tinham participado neste curso. Toda a sessão de entrega dos kits foi muito solene.

As últimas aulas dos níveis do curso de inglês não ficaram atrás. Tiveram direito a lanchinho: bolos dan-cake e sumos. A Inês Magriço ainda discursou na sessão de entrega de diplomas frisando que a “formação não acaba nunca”. Um dos alunos da Beatriz, cozinheiro num dos hotéis da zona, entregou-lhe uma ementa para ela lhe traduzir.

Finalmente, durante a tarde, a Câmara veio buscar parte dos caixotes com material que tínhamos trazido há 15 dias (!) para entregar e que tinham ficado, nestes dias, no nosso pátio.

Enquanto jantávamos uma fantástica cachupa preparada carinhosamente pela Sra. Maria, eis que surge uma senhora no nosso alojamento acompanhada por algumas voluntarias. Comeu da nossa cachupa e durante bastante tempo grande parte do grupo interrogava-se sobre a presença daquela senhora. Viemos a saber que era belga, que se interessou pelo nosso projecto e queria saber como poderia ajudar.

A tertúlia foi muito variada. Começou com os avisos para a organização do dia de amanhã, contámos episódios divertidos e  acabou com o desafio da Joana Nestor e da Ana Santiago para um jogo. A primeira reacção das voluntarias foi de cansaço, mas rapidamente se dispuseram a participar. Ninguém se arrependeu porque o jogo foi bastante engraçado: a cada uma foi colado nas costas um balão de uma certa cor e sem pudermos falar, tínhamos que nos juntar em grupos conforme as cores. Depois da tertúlia ainda houve quem saltasse à corda, recordando músicas antigas.

Aproveitando o facto de termos um terraço, a Rita Leão, Teresinha Flores e Ana Isabel Carvalho resolveram pregar uma partida: iam chamando o nome de quem passava pelo pátio e escondiam-se. Era cómico assistir à indignação das que iam sendo chamadas.

Procurámos adormecer cedo porque amanhã reserva-nos um dia em peso!

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